O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na noite deste domingo (16), em São Paulo, com dívidas que somam R$ 17,3 bilhões. O processo foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais e ocorre em meio ao agravamento da situação financeira da varejista, que registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano.
O pedido envolve dez empresas do grupo, incluindo operações ligadas às marcas Casas Bahia e Ponto Frio, ao comércio eletrônico, à fabricante de móveis Bartira e a subsidiárias das áreas de logística e tecnologia. Do total do passivo informado à Justiça, R$ 16,4 bilhões correspondem a dívidas com credores sem garantia, R$ 754 milhões a obrigações trabalhistas e R$ 154 milhões a débitos com micro e pequenas empresas.
Segundo a companhia, o processo de recuperação judicial não deverá provocar interrupção das atividades. A empresa afirma que pretende manter o funcionamento dos canais de venda e o atendimento aos consumidores enquanto negocia uma reorganização das obrigações financeiras.
Entre as razões apresentadas para o pedido estão o período prolongado de juros elevados, a restrição de crédito, o aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo e o capital de giro. A varejista também informou que alternativas para obtenção de novos recursos que vinham sendo negociadas não foram concretizadas.
A crise financeira ocorre após anos de investimentos na transformação da operação da empresa e mudanças no comportamento do varejo. A companhia intensificou a digitalização a partir de 2019, período anterior à pandemia da Covid-19 e em um cenário de juros mais baixos. Posteriormente, a elevação das taxas aumentou o custo do crédito em uma operação dependente de financiamento para estoques e vendas ao consumidor.
Fechamento de lojas
Nos últimos meses, o grupo também reduziu a estrutura física. A companhia informou o fechamento de 298 lojas e promoveu uma reorganização do quadro de funcionários como parte de uma nova etapa do plano de reestruturação. A estratégia prevê concentrar a operação em unidades e negócios considerados mais rentáveis, além de priorizar margem e geração de caixa nas vendas digitais.
O pedido ocorre dois anos depois de a varejista recorrer a uma recuperação extrajudicial. Em 2024, a empresa renegociou bilhões de reais em obrigações financeiras e deixou o processo poucos meses depois.
O cenário voltou a se deteriorar nos trimestres seguintes. No segundo trimestre de 2026, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, contra perda de R$ 555 milhões no mesmo período de 2025. A companhia atribuiu R$ 9,1 bilhões do resultado a efeitos não recorrentes relacionados, entre outros fatores, a baixas de ativos, revisões contratuais e medidas de reestruturação. Desconsiderados esses efeitos, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões.
Com o resultado, a empresa chegou ao oitavo trimestre consecutivo de perdas e passou a registrar patrimônio líquido negativo de R$ 8,1 bilhões.
No pedido à Justiça, a companhia também busca proteção contra medidas que possam comprometer o caixa durante a recuperação. A expectativa é utilizar o processo para renegociar e alongar dívidas, reorganizar a estrutura de capital e preservar a continuidade das operações.
Com informações da Folha de S. Paulo







