Da redação - Assú Notícia: A Polícia Civil do Rio Grande do Norte revelou, na manhã desta sexta-feira (17), novos detalhes sobre o esquema de estelionato que teria feito mais de 110 vítimas e causado um prejuízo superior a R$ 200 mil em Assú.
As informações foram apresentadas pelo delegado Dr. Valério durante uma coletiva de imprensa realizada na Delegacia Municipal de Assú.
O investigado é Jeferson Clayton Pessoa, de 35 anos, preso durante uma operação policial realizada entre os municípios de Mossoró (RN) e Icapuí (CE). Ele é apontado como responsável por aplicar o chamado golpe do falso desconto em taxas do DETRAN.
Como o esquema funcionava
De acordo com o delegado, Jeferson não era mais funcionário da empresa que anteriormente prestava serviços de correspondente bancário nas dependências da Central do Cidadão de Assú, por meio de credenciamento junto ao DETRAN/RN.
A empresa havia encerrado suas atividades no município e já não possuía credenciamento para operar. No entanto, segundo a investigação, essa informação era desconhecida tanto pela direção da Central do Cidadão quanto pelos usuários do serviço.
Aproveitando-se da situação, o investigado teria instalado um banner com seu próprio nome, utilizando ainda as siglas da empresa que anteriormente funcionava no local, dando a impressão de que o atendimento continuava regular.
Com isso, os clientes continuavam procurando o estabelecimento para quitar débitos do DETRAN.
Dinheiro ia direto para a conta do suspeito
Segundo a Polícia Civil, os pagamentos eram realizados por PIX diretamente para a conta bancária do investigado ou por meio de uma máquina de cartão também vinculada à sua conta pessoal.
As vítimas recebiam um comprovante normalmente, acreditando que as taxas haviam sido quitadas. Entretanto, os valores nunca eram repassados ao DETRAN, fazendo com que os débitos permanecessem em aberto no sistema.
Na maioria dos casos, os clientes só percebiam o golpe semanas ou meses depois, quando precisavam utilizar algum serviço do DETRAN.
Ao retornarem ao local para cobrar explicações, Jeferson, conforme as investigações, alegava que havia problemas no sistema e conseguia convencer as vítimas de que a situação seria resolvida posteriormente.
Mais de R$ 200 mil desviados
Ainda conforme a Polícia Civil, o esquema funcionou por aproximadamente um ano, período em que o investigado teria arrecadado mais de R$ 200 mil de forma ilícita.
Até o momento, mais de 110 vítimas já foram identificadas, número que ainda pode aumentar com o avanço das investigações.
Vida de luxo e suspeita de lavagem de dinheiro
Outro ponto revelado durante a coletiva é que, no momento da prisão, Jeferson estava morando em uma residência à beira-mar, localizada entre Mossoró e Icapuí, no Ceará.
Apesar do elevado valor movimentado no esquema, a Polícia Civil informou que não foram encontrados bens registrados em nome do investigado.
Segundo o delegado Dr. Valério, existe a suspeita de que o dinheiro tenha sido totalmente gasto ou que parte do patrimônio tenha sido ocultada por meio de terceiros, conhecidos como "laranjas", hipótese que poderá configurar também um esquema de lavagem de dinheiro e continuará sendo investigada.
Vítimas podem não conseguir reaver o dinheiro
Durante a coletiva, o repórter Jalisson Ferreira, do Assú Notícia, questionou o delegado sobre a possibilidade de restituição dos valores às vítimas.
Em resposta, Dr. Valério explicou que, até o momento, não foram localizados recursos financeiros nas contas do investigado nem patrimônio passível de bloqueio, circunstância que dificulta significativamente o ressarcimento.
Segundo o delegado, diante do cenário atual, a recuperação dos valores é considerada muito difícil, embora as investigações continuem para tentar localizar bens ou recursos que possam ter sido ocultados.
A Polícia Civil segue apurando o caso e não descarta o surgimento de novas vítimas nem a responsabilização de outras pessoas que eventualmente tenham participado do esquema criminoso.









