A Polícia Civil cumpriu dois mandados de prisão preventiva contra um homem e uma mulher suspeita de envolvimento no homicídio qualificado de um homem espanhol, identificado como Joan Suriol Giralt, no município de Maxaranguape. Ela era companheira da vítima. Já o homem era um funcionário de confiança.
De acordo com as investigações, o crime ocorreu no dia 20 de dezembro de 2025, na região da Lagoa do Vital, localizada no município. Após o registro do desaparecimento da vítima, comunicado por sua então companheira, foram iniciadas as diligências para apuração dos fatos. Durante as diligências, o corpo foi localizado submerso em uma área de vegetação.
O delegado Victor Nobre explicou o que pode ter motivado o crime. "Joan era casada com a suspeita, mas era um casamento de acordo. Como era espanhol, para permanecer no Brasil, ele entrou nesse casamento, inserindo eles para trabalharem nesse estabelecimento. A gente descobriu que em 23 de dezembro, havia uma audiência para dissolução do vínculo conjugal. Isso teria prejuízos financeiros para a suspeita", detalhou.
"A gente tem essa linha de investigação para que a motivação seja de cunho patrimonial. Com a morte, ele ficaria com todos os bens. Era um casamento que tinha, há dois anos, consegui comprar bens juntos. Então, acredito que esses bens ficariam para ela", acrescentou o delegado.
Conforme o laudo pericial, foram constatados sinais de extrema violência no corpo da vítima, com a identificação de diversas lesões graves. A causa da morte foi atestada como anemia aguda decorrente de hemorragia interna, provocada por múltiplos danos causados por projetos de arma de fogo, que afetam órgãos específicos, como coração e pulmões. Ao todo, dez projetos foram extraídos durante o procedimento pericial.
No curso das investigações, os policiais constataram que a forma como o corpo foi localizado chamou a atenção, uma vez que pessoas ligadas ao convívio da vítima indicaram o local com resultados.
Os álibis apresentados pelos suspeitos foram confrontados com provas técnicas. As apurações também apontaram que o crime ocorreu pouco antes da formalização de um anteriormente agendado, o que levanta a possibilidade de aplicação patrimonial ou de natureza passional, possivelmente relacionada a um casamento realizado com a finalidade de regularização migratória.
Diante dos elementos recolhidos, das inconsistências verificadas nos depoimentos e dos acusados de tentativa de ocultação de provas, a autoridade policial representou pela decretação das prisões preventivas, que foram feridas pelo Poder Judiciário. Em seguida, diligências foram realizadas pela equipe policial, que localizou e prendeu os suspeitos.
"Até então eles negaram o crime. Ainda temos outros elementos para apresentar, para que vejam como está a investigação e tirar qualquer tipo de saída. Temos homicídio qualificado, fraude processual, ocultação de cadáver, entre outros que ainda estamos investigando", completou o delegado Victor Nobre.
Eles foram conduzidos à delegacia para os procedimentos legais e, posteriormente, encaminhados ao sistema prisional, onde permanecerão à disposição da Justiça. As investigações seguem em andamento com o objetivo de promover a elucidação completa dos fatos e identificar outros possíveis envolvidos.
A Polícia Civil reforça a importância da colaboração da população e destaca que as denúncias podem ser realizadas de forma anônima, por meio do Disque Denúncia 181. Tribuna do Norte