Da redação - Assú Notícia: Um adolescente identificado como Devid ficou em estado grave após se envolver em um acidente entre uma motocicleta e uma vaca, na noite desta sexta-feira (21), na comunidade de Santa Clara, zona rural de Assú.
Segundo informações obtidas pelo Assú Notícia, Devid havia saído de uma festa onde estava trabalhando juntamente com a mãe e seguia em direção ao Panon II, onde buscaria outros materiais necessários para o evento.
Durante o trajeto, em um trecho escuro da rodovia, o adolescente teria sido surpreendido por uma vaca na pista e acabou atingindo o animal. A violência do impacto provocou uma grave lesão na região da cabeça.
Devid ficou caído ao solo e apresentava sangramento intenso na cabeça. Uma equipe da UTI Móvel do SAMU foi acionada e realizou os primeiros atendimentos. Diante da gravidade do quadro, o adolescente foi encaminhado para o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró.
ATÉ QUANDO ANIMAIS SOLTOS NAS ESTRADAS VÃO COLOCAR VIDAS EM RISCO?
O acidente reacende uma discussão que já ultrapassou os limites do simples descuido. Animais de grande porte soltos em rodovias representam risco concreto de morte, principalmente durante a noite, quando motoristas e motociclistas podem ter poucos segundos — ou nenhum — para evitar uma colisão.
Enquanto um animal é deixado solto às margens ou sobre uma rodovia, uma família pode receber a notícia de que um filho, um pai ou uma mãe está gravemente ferido ou morreu em um acidente que poderia ter sido evitado.
Não é aceitável tratar episódios dessa natureza como acontecimentos inevitáveis. É necessário identificar os responsáveis pelos animais, apurar cada caso e aplicar as medidas previstas em lei quando houver negligência ou responsabilidade comprovada.
A cobrança também precisa alcançar o poder público e os órgãos responsáveis pela fiscalização. Recolher animais, identificar proprietários e adotar medidas preventivas não pode acontecer apenas depois que alguém está ferido ou morto.
Uma estrada não é pasto.
Quem cria animais tem o dever de mantê-los em local seguro e impedir que invadam as vias. Da mesma forma, as autoridades precisam agir de maneira contínua para reduzir esse risco. Quando a prevenção falha repetidamente, são motociclistas, motoristas e famílias inteiras que pagam a conta — algumas vezes com sequelas irreversíveis e, em outras, com a própria vida.
O caso envolvendo Devid é mais um alerta doloroso. Não podemos esperar a próxima vítima para voltar a discutir o mesmo problema.
As circunstâncias do acidente deverão ser apuradas, inclusive para identificar a propriedade e a responsabilidade pelo animal envolvido.